alacridade


Michael Donovan

minha cútis
absorve espermatozóides
inquietos
posto que num homicídio coletivo
abortamos o tempo
e nos fizemos satisfeitos

e minha pele cheia de viço

agradece

rosangela a.

Meu puto


ele é meu  puto
de barba cerrada
olhar sensual
que me tira do sério
e na hora do sexo
me puxa o cabelo
me vira do avesso
e  se enfurece
se eu resisto
e  não obedeço
me manda embora
e mesmo contrariado
explode em gozo
na minha boca
e  fica puto
se eu reajo
e sujo o
lençol de porra
                                            Celamar Maione

dissoluta




seja minha
sua jura

e ao pé
de meu ouvido
murmure
seu desamor
e desventuras

seja minha
flor
a qualquer hora
propícia

seja meu deleite
onde possa
esquecer
o meu suplício

de acordar
dia a dia
sem ter pecado
e em ti
deixado o meu vestígio


rosangela a.


riminha



o teu corpo
é ponte
em estado
eminente

que se abala
pelas águas
que sobejam
em mananciais
da minha boca
quando te beija

ah, nossos corpos
juntos ao ensejo
formarão cataratas
pela violência
do desejo evidente

rosangela a.

embate


Shiva e Parva
Milo Manara

a verga
que entre as pernas
se ergue
fascinada

a tez
que se gaba
pelo prazer
de todos
o maior
o mais cobiçado

o regalo
no entra e sai
ao corpo
num pequeno espaço
úmido encanto
escavado

rosangela ataíde

Pintura do Prazer


Na tela do teu corpo
Minha língua desenha
O retrato do desejo

A aquarela nos meus lábios
Guarda mil tons de luxúria

E assim, com matizes de volúpia
Te desnudo obra de arte.


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REVELAR

Jan Saudek, Sem título, 2003.


Há uma lua entremeada
na palavra vulva:
céu trazido próximo
por elipse.
Vês quando cessa
o eclipse?

bem


Stephan Wurth

dedico a minha pele
toda carícia
toda saliva
ardores e delícias

inda que orgia
seja

dedico a minha pele
palpebras a piscar
óleos essenciais ylang ylang
seios ofegantes e rijos

dedico a minha pele
o arrepio
fluídos
e toda sensação
que possa causar
as curvas e desvios

dedico a ti minha pele
o amor que proporciono
...a liberdade de viver cada cio

rosangela ataíde

corpo humano



me ofereço
a este lábio carnaúba

como se alimento fosse

e não mais
carne viva
aflita por sangrar

minhas veias
a seu deleite

rosangela ataíde

polidez

Andre Brito

polida a mão

fixa a carne
o toque que anseia

e esta carne tensa e tesa
dá se conta
da civilidade que a domina

retem-se

e esconde
toda tesura
toda maciez em arrepio

cala-se
e não  permite
pela fluidez
gozar a vida

rosangela ataíde

abissal


João Paulo Redondo

trazia entre coxas
a tez de debochada donzela
que alva
compreendia
do negro
doce
abissal
desejo
que dentro
ardia

rosangela ataíde

Round


 Teu corpo  é a lâmina
que me retalha o sexo
entre um gozo e outro
gemo trêmula de tesão
arrebatada e pronta para
mais um round de amor
                                                    

                                                               Celamar Maione